quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

02/02/2017

Apressou o passo na direção da senda e uma enxurrada de alados surgiu às suas costas. O som do vento deslocado era tão forte que mal podia ouvir os próprios pensamentos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Welcome to Vanitas Age



Li, orgulhosa, na portada do Museu de História Natural e Híbrida.

Um homem feito de material biológico idêntico ao natural tirava uma selfie diante de um fundo de chroma key. A cachoeira que borbulhava vida às suas costas evidenciava a enorme distância entre o programador da imagem e o ilustrativo tempo histórico que buscava alcançar, não pela exatidão em representar as múltiplas espécies cuja extinção se dera em meados do século XXI, mas pela inabilidade em imaginar seus biomas originais.

A sala era ampla e a competente museógrafa visivelmente havia se esforçado em traçar alguma unidade de sentido. Do lado do “Homem Selfie”, recuado alguns metros, pendia do teto baixo um Caravaggio representando Narciso. De costas para a pintura jazia uma “Eva” dissecada. Milimetricamente suspensas sobre seu corpo todas as possíveis aplicações do silicone estético. -Preciso tornar essa ala tátil, pensei.

Bem no centro da sala uma grande macieira composta por nano computadores sustentava a rede neural  do complexo Vanitas Age. Era possível ao visitante recolher uma maçã baseada no design da antiga “Apple” e visualizar um imenso código binário em sua superfície. Não era permitido comê-la, óbvio. Como toda essa parte que tratava do homem e das extinções em massa me entristecia muito, rumamos para um corredor holográfico onde o apocalipse de João era representado, alternando-se as famosas pinturas de El Greco e imagens das catástrofes climáticas de 2020. Ao fundo, um palanque estilo USA 2016, uma balança de cobre, uma antiga TV sólida e uma urna eleitoral.  Todas as peças tombadas sob uma enorme cruz de carvalho que inclinava-se sobre o espectador. Projetada na parede, atrás da cruz, a transmissão holográfica histórica da volta do Messias em diversas partes do mundo. Esse era o aspecto da antessala da designada “Nova Ordem” –Constituição Universal Humana-.

-A era do “homo traquinas sem recheio”...- falamos ao mesmo tempo sorrindo com tristeza.

- “Vanitas Age”, gostou do nome? 

Abriu totalmente o obturador das lentes de contato.

-Não. O homo traquinas não entenderia. 

-Ah, por favor... Pelo menos me deixe abusar do latim.

Ativamos os respiradores e voltamos a pé para o domo principal da comuna leste. Era a hora do poente no grande mar e eu adorava o tom dourado que as partículas de dispersão de radiação solar refletiam no orvalho do nosso jardim de vegetais orgânicos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Das latências burguesas


Lentamente, os dias vazios ficavam maiores. Gigantes comedores do tempo, enormes seres brancos como borrachas. Das linhas, dos desenhos que a memória produz, aprende-se, em contemplação, que o tempo é colorista, artista hábil que imagina, recria, embeleza. Mas os dias -esses vilões interessantes- são potência e latência, invólucros vazios que enchemos de trabalho. Enormes entidades brancas em vestes de preguiça, gula, despropósito.

Focada na revolução que jamais vivenciou de fato, desfoca, devaneia. Nunca havia pensado a Liberdade, nunca seriamente. Agora, atrás dos Gigantes, no campo colorido do tempo, se revolta a terra. Do atrito das placas crânianas, emergem montanhas. As ações, as reações foram defloradas. A tal Liberdade pulsa, permeia, cospe lava vulcânica escondendo o horizonte: desafio cravado no plano, tão alto quanto de difícil acesso.

Tremem os dias diante das montanhas. O tempo chora e ri pois que se instaura um espetáculo. Uma brisa leve acaricia o rosto e sussura: “escale, contemple... é chegada a hora da degola, que rolem as cabeças”.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Desenhinho educativo: A Revolução dos Bichos (Animal Farm - 1954) de George Orwell

Quando os ideais são traídos.


O romance Animal Farm de George Orwell publicado originalmente em 1945 começa com uma verdadeira revolução e demonstra as consequências da traição de alguns dos ideais fundamentais que deveriam nortear uma sociedade. Apresenta, em linguagem satírica, as estruturas de violência e persuasão, físicas e psicológicas que amparam aqueles que visam o benefício próprio quando em situação de poder. Aborda a necessária distinção entre Estado e governo, o modus operandi da política degradada, questões como a pena de morte e a transformação "sutil" dos ideais de igualdade em exploração perversa e gradual. Uma aulinha de política cheia de fecundas reflexões baseada no romance de Orwell. Vale a pena.

 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Documentário excelente pra termos a noção do quanto estamos fodidos.

http://vimeo.com/81595447

Sonho das 2h e um pouco de Pixies


Tem sempre tanta coisa rodando na minha cabeça
Hoje roubaram minhas telas
E minha chefe desfila uma saia minúscula
Roubaram minhas telas
Tem uma cidade na lua
Eu vi, tem uma cidade na lua

Mas eles também me viram
Eu fui escaneada por um aparelho estranho
Três ninfas roubaram minhas telas
Mas fui buscar de volta
E dei três belos tabefes

Mas eles desceram
Com aquelas pessoas de plástico
Eles multiplicaram meus gatos
4 gatos multiplicados por 8 gatos

E eu não tive medo
Peguei tudo de volta da sacola
E as três ninfas não acreditavam no que viam
As telas não era minhas, nada nunca foi
Mas são da minha chefe e ela esta indo a um leilão
Estou presa em casa por seres da lua.